Casa é onde estou.
Os meus móveis favoritos são as malas de viajem, as mochilas, os trolleys, todas as coisas onde transporto a casa onde vivo.
O sítio de onde parto e onde junto todos os regressos, é o meu temporário. Uma espécie de armazém.
Estou agora no meu temporário 14 ou 15, já não sei bem.
Fica num local onde o tempo não é muito frio no Inverno e não tem calor no Verão. Nunca chove até à inundação, nem faz aquele vento que manda tudo ao chão. O mar é... Bom, o mar é o mar, temperamental, mas aqui não sofre de grandes fúrias e nunca provoca muitos estragos.
É certo que há dias em que os barcos dos pescadores não saem a barra, mas são poucos esses dias.
Na Mercearia, que é pequena, todos se congratulam:
"É um cantinho do Paraíso"
dizem comentando o Telejornal e as inundações em Tomar e na Ásia, ou a ventania em Ferreira do Zêzere e o tufão na Indonésia.
"Isto é tão bom que é pena não o aproveitarem melhor, é pena nunca acontecer nada..."
Como poderia acontecer alguma coisa num local onde nem pela força da Natureza nada cai ao chão e portanto se desconhece a força e vontade necessária para recomeçar?
Perco a fome, compro só dois queijos frescos, uma garrafa de vinho e abandono a conversa de anjos neste canto do Paraíso.
Peniche, 8 de Outubro de 2009
Vou ouvir Starry, Starry Night de Don Mclean e dar uma olhada na Macabre Gallery só p'ra aliviar!
Ah! Desenhado com Bico de Lápis, marcador, colagem de iluminura moçárabe e folha de louro, que é sempre um bom tempero.
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