terça-feira, 20 de outubro de 2009

Dança de Chuva
























Há dois homens imóveis
Sobre as ondas que não param
Debaixo deles uma construção em tábuas
Que flutua qual palco montado para um bailado improvável.

O sorriso do sol feito amarelo e quente
Calor nos meus ombros e luz nas vagas
Os homens bailarinos são figuras negras.

E agora é Outono, altura do pintor de céus
Chega com um pouco de vento
E muitas tintas
Invadem de repente a tela que olho de baixo

Enquanto perde a luz, ganha as cores
Outros azuis, cinzas, chumbos e pinceladas de branco
Assim como que olhos que incham antes do choro.

E caem três gotas, promessa do pranto que tudo lava

Sinto a compulsão desta escrita desenhada que abandono à chuva
Numa dedicatória
A todos os que alguma vez pensei ver dançar no palco da minha vida
E que talvez só tenham ficado imóveis
Balançando-se nas ondas do meu pensamento.

Para ouvir? Não sei, talvez Dulce Pontes... (desculpem o video)

Sem Bico de Lápis; Caneta de feltro e água da Chuva sobre papel Canson.