segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O Café da Couve

Não sei se gosto muito de café ou se gosto é do tempo que tomo para o beber.
Tomar café é, afinal, tomar tempo para mim.
Começa de manhã; há uma quantidade de actividades vegetativas relacionadas com o acordar. Acho mesmo que se uma couve andasse teria um amanhecer igual ao meu.
Menos tomar café.
É assim como que uma humanização, como um primeiro acto de consciência, um livre arbítrio. Afastem-se as névoas ou adensem-se as nuvens, o que importa é que a rodela do Sol do dia desenha-se na nódoa deixada pela chávena de café. E coisas vão acontecer!

Bico do Lapis- Peniche, 14 de Setembro de 2009

Ouvir:
Bach- The Coffee Cantata
Olhar:
Coffee and Cigarettes de Jim Jarmusch. Há um cheirinho no YouTube

1 comentário:

  1. Ouvir o suave borbulhar da máquina.
    Sentir o aroma no ar.
    Mexe-lo sempre ao contrário.
    Finalmente a chávena que por vezes deixa nódoas na mesa ou nos dedos...
    A couve porém, é um ser sossegado e não tem polegar para segurar a colher...
    Café e couve... ou um café para deixar de ser couve!
    É sempre um bom sabor para todos aqueles começos.
    Gostava de partilhar contigo de novo uma colher...

    Boa continuação, aos bicos dos teus lápis.
    Um Xi-Coração

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